A Rapariga do Vestido às Bolinhas


Às vezes vejo-me metida em situações um pouco judgmental, infelizmente, elas próprias criadas por mim.

Não é segredo nenhum que eu sou um homenzinho que anda para aqui, uma delícia que só eu e, portanto, sou uma acérrima defensora da amizade estabelecida entre os sexos opostos. É-me natural. Eu posso ficar horas a falar com um rapaz, após tê-lo conhecido há coisa de 10 minutos, mas o mesmo tipo de conexão não a encontro com uma rapariga.

E a verdade é que eu própria criei uma barreira tão grande que dei por mim a menosprezar um pouco o conhecer novas raparigas. Ou seja, sim, senhora, olá e adeus, mais nada. Nem me dava muito ao trabalho e comecei a estar sempre de pé atrás.. Até que me apercebi desta situação e dei por mim num extremo oposto ao que já fui.

Comecei a instigar tanto esta ideia que todas as raparigas são umas bitches e umas pequenas sacaninhas que sempre que me dava ao trabalho de conhecer uma ficava positivamente surpreendida por, afinal, o mesmo não se verificar. 

Comigo é sempre 8 ou 80 mas fico feliz por me ter apercebido do que estava a fazer pois este tipo de preconceito leva, inevitavelmente a uma perda (tanto de inteligência como de uma possível boa amizade). Despertei para a vida e, felizmente, nos últimos tempos tenho conhecido gajas b-r-u-t-a-i-s.



Vivemos numa sociedade que mais parece um catálogo que outra coisa. "Pretos", "brancos", "mulatos", "monhés", "gays", "bissexuais", "heterossexuais", "judeus", "muçulmanos", "cristãos", "gajo", "gaja"... Pá. E p-e-s-s-o-a-s, não?
Ontem estava na sala e na televisão passava o Passadeira Vermelha. A certa altura, falou-se de umas fotos que Kim Kardashian publicara no seu facebook para mostrar a sua boa forma física.
Eis um exemplo: 

Gerou-se logo controvérsia. O bikini, como poderão notar, é feito de pele verdadeira o que já de si não faz sentido porque as peles normalmente são feitas para aquecer a pessoa e não para se porem numa peça de roupa cujo objectivo é ir à água. Enfim, é toda uma lógica da batata ridícula. Só por isto, fiquei enojada. Eu sou contra a utilização de peles e ver que animais foram mortos para o seu pêlo ir parar a um bikini ainda me mete mais enraivecida.

Entre as pessoas presentes no programa também se começou de imediato a falar sobre o uso de peles. E deixem-me que vos diga que ouvir o Cláudio Ramos a falar sobre peles é o mesmo que me ouvirem a falar de Arquitectura: a coisa não devia acontecer.

Eis então que sua excelência diz que percebe que há uma indústria e um mercado atrás disto. Bem. Por onde começar. Sim, há um mercado. Isso fá-lo ser desculpável? Fá-lo ser necessário? Justifica todo o sofrimento animal por trás das peles? E depois ainda usou o típico argumento que as pessoas acéfalas usam "as pessoas também são hipócritas porque comem carne e  usam sapatos de cabedal mas criticam o uso das peles". Again, por onde começar? Bem, deixem-me vos dizer que me sinto muito feliz por aparentemente não ser hipócrita. Mantenho-me longe da carne há já imenso tempo e a maioria dos meus sapatos são todos de.. plástico? Devem ser. Contudo, eis uma questãozinha importante: volto a repetir, sim sou contra o uso de peles mas a verdade é que se se come carne de vaca e de coelho, compreendo que usem a pele do animal para outro tipo de indústria. É normal, sabem? Enquanto se continuar a comer carne do animal, acho justificável. Não acho que alguém seja hipócrita por criticar o uso de pele de vison mas usar o quer que seja de cabedal (e especialmente tendo em conta que é muito provável que seja omnívoro! Aliás, pessoalmente, um bom exemplo de hipocrisia seria uma pessoa dizer que é vegetariana ao mesmo tempo que vestia um blusão de cabedal...). E porquê? Porque não se mata uma vaca apenas com o intuito de usar a sua pele. E é isso que acontece com MUITOS animais: cobras, crocodilos, vison, marta, raposas... Por onde começar!! Isto sim é lamentável e bastante condenável. Há autênticas fábricas de animais com o único intuito de se ganharem milhões à pala de um sofrimento absolutamente desnecessário. Acho ridículo como é que há pessoas que acham que andar a passear animais mortos é bonito. É nojento e só sinto pena por este típo de pessoas e pela sua falta de noção do que se passa à sua volta.

Finalmente, hoje apareceu-me um vídeo no meu feed que por acaso ilustra a temática do uso das peles. É da PETA e podem vê-lo aqui

Nada a dizer. É mau que dói.
Duas palavrinhas contudo:

  • tem cenas sexuais (nada explícitas portanto não se entusiasmem já!) um bocado random. Ah e tal vamo-nos matar mas primeiro deixa cá mandar uma
  • Débora Monteiro tem dos PIORES sotaques que alguma vez ouvi. Até sangrei dos ouvidos
O filme peca por não ter muito onde se agarrar. Parece uma sequência desligada de cenas. Há ali uma ou duas prestações boas mas um actor só por ele não segura um filme, não é verdade.

Não percam o vosso tempo a ver isto.

Bem. Alguma vez tinha que ser. Eu, Rafaela, a falar de maquilhagem! É verdade, é verdade. Apesar de apregoar a minha masculinidade capaz de pôr muito bom rapagão a um catinho, devo dizer que eu adoro maquilhagem. Mas calmaaa, não vou fazer nenhum post acerca dos meus produtos favoritos ou como fazer smokey eyes (porque até eu ainda estou a tentar perceber como se fazem) mas sim sobre a quantidade ridícula de maquilhagem que as mulheres usam.

Okay, repito: adoro maquilhagem. Saio frequentemente e claro, obviamente, não vou para uma discoteca com a cara igual à que acordei e também costumo pôr base na cara antes de sair de casa, assim uma coisa muito natural, tal como eu gosto, daquelas que as pessoas ficam na dúvida se estou ou não a usar alguma coisa.

O busílis reside aqui: há muita mulher mais ou menos bonita que apenas o é com maquilhagem. Pá. E isto é muito triste. É o mesmo que ver uma gaja com um "ganda" par de mamas e de repente, ups, afinal é um super mega push up. Sim, eu fico mais bonita tanto com maquilhagem mais simples ou mais elaborada mas ainda assim, gosto que as pessoas me reconheçam com e sem maquilhagem. Há gajas que sem qualquer coisa na cara ficam absolutamente irreconhecíveis.

Também não consigo perceber as pessoas que não saem de casa sem parecerem menos que perfeitas. Oh meus senhores, já toda a gente me viu sem maquilhagem! Bem sei que é mais aprazível aos olhos ver-me com uma corzinha mais uniforme, um rosinha nas bochechas, mas porra, se tenho pressa ou se vou à rua uns 10 minutos e pronto, a maquilhagem fica na prateleira.

Que é esta noção de perfeição que as mulheres se vêem na obrigação de corresponder? E será que não seria "combatida" com um pouco de auto-estima?