quarta-feira, 13 de maio de 2015

Do Bullying

Pois eis que, como tenho vindo a reparar, todas as semanas, surge nas redes sociais, um tópico trendy. É um tópico que tem, normalmente, a duração de uma semana, não mais que isso (pois parece ser o tempo suficiente para que as pessoas se entretenham com o mesmo) ou até que outro melhor surja.

Há duas semanas era o Uber, a semana passada foi a (não) doação de sangue por parte dos homossexuais ao mesmo tempo que se falava do rapazinho ao qual foi colocado orelhas de dumbo em pleno programa de horário nobre, também apelando-se um bocadinho ao bullying, e esta semana, chegou hoje hoje, temos um vídeo que demonstra um jovem a ser atacado por quatro raparigas e um rapaz que se mantém em background mas sendo, obviamente, cúmplice do acto.

Bom. Comecemos por algum feedback que fui lendo ao longo do dia. First of all, concordo com o Sensivelmente Idiota: "Partilhar o vídeo daqueles putos da Figueira da Foz é disseminar o ódio. Precisam de ser punidos, e tratados provavelmente, assim como a situação deve ser denunciada, mas as imagens não podem andar por aí. Primeiro, porque lhes vão dar fama e atenção, como eles querem, por algo miserável que fizeram, e também porque vai gerar ódio no sentido inverso e não é a bater-lhes de volta que isso se vai resolver" mas toda a gente sabe que eu gosto sempre de comentar a actualidade portanto tinha que pôr a minha colherada. Também concordo com o Markl: "eu não considero que as miúdas que aparecem naquele vídeo da Figueira da Foz sejam bullies. Não, bullies era o que havia no meu tempo. Estas tipas são já a modos que psicopatas" e, já agora, com a Maçã: "Se um filho meu, apesar de toda a educação que pudesse dar-lhe, optasse por ser bullie, eu não aguentava a vergonha e desilusão. Violência não se resolve com violência, é certo, mas filho meu ia servir de saco para descarregar o meu desgosto. Sou completamente contra a bater em filhos, mas caramba, num caso destes havia de apanhar até me cansar enquanto lhe perguntava se queria que gravasse para colocar o vídeo no YouTube, enquanto lhe dizia que ia mudar de escola para uma onde não conhecesse ninguém e todos o conhecessem, enquanto o telemóvel era despedaçado na parede. Filho meu dentro de casa não saía impune de uma coisa destas e era levado à porta de quem fez mal pedir desculpas, à vítima e respectiva família. Gravando num vídeo, claro, para poder ver todos os dias."

Vamos por partes. Acima de tudo quero focar-me em dois tópicos: o abuso da palavra bullying e os comentários a respeito do vídeo (e ambos estão bastante relacionados).

Acho que hoje em dia, a palavra caiu em desuso. Tal como a palavra "amo-te". Diz-se que tudo é bullying. Um tipo leva uma berlaitada, caramba!, já temos bullying a acontecer mesmo em frente dos nossos olhos. CALMA. Eu não sou defensora de qualquer tipo de violência mas temos que ver que a palavra tem um significado em que não podemos encaixar tudo é que é forma manifesta da mesma, para com o outro. Diz-nos a Wikipédia (e enquanto pseudo-psicóloga digo-vos que esta informação é correcta, peço imensa desculpa se padece de referência bibliográfica) "actos de violência física ou psicológica intencionais e repetidos, praticados por um indivíduo ou grupo de indivíduos, causando dor e angústia e sendo executadas dentro de uma relação desigual de poder. bullying é um problema mundial, sendo que a agressão física ou moral repetitiva deixa marcas para o resto da vida na pessoa atingida.". Ou seja, temos que ter muita atenção quando aplicamos determinada terminologia a determinada situação. Por um lado concordo com o que o Markl escreveu, por outro discordo (não acho que se trate de psicóticos mas apenas de um grupo de indivíduos que merecem ir para uma casa de correcção e, já agora, que também sejam acompanhados por um profissional da saúde mental). É verdade que esta terminação é relativamente recente e que só agora é que muita gente se apercebeu que foi alvo do mesmo, mas por outro lado, tenho a certeza absoluta que houve muita gente que decidiu adoptar a palavra para uma ou outra berlaitada que levou na escola ou que também deu. Por isso é que temos muitos acéfalos a comentar que no tempo deles, as pessoas comiam e calavam e até ficavam mais fortes e blá blá. Bom, duas coisas acerca disto: o tipo de violência é hoje em dia, diferente. Não posso afirmar isto com toda a certeza, até porque só tenho 22 anos, mas a verdade é que acho que a geração de hoje é naturalmente mais agressiva que a anterior, therefore, acho mesmo que o que se fazia antes (e convém sempre reforçar que não é, de todo, correcto ou melhor que o que se passa hoje) é diferente dos casos que temos hoje em dia. E é isso que algumas pessoas têm que perceber: quando alguém comenta "dantes também levávamos mas não havia tempo de antena" ou "um calduço só lhe faz é bem" e outras pérolas do género que tal, não só estamos a descartar aquilo que foi (e agora, estou-me a referir muito especificamente ao vídeo sobre os idiotas da Figueira da Foz) um acto de "real" bullying, como estamos a negar qualquer tipo de dignidade ao rapaz que sofreu os ataque porque "no meu tempo também levei e estou aqui para as curvas". Certinho, estás tão aqui para as curvas que achas por bem, e talvez até te divertes, ver um rapaz a ser atacado por um grupo que o fazem para puro divertimento.

Enfim.O que se espera é que, infelizmente à custa desta vítima, se faça alguma coisa no sistema de ensino para que pais, professores e alunos estejam preparados para lidarem com situações destas e, claro, para que a estes últimos em particular lhes seja passada a mensagem de que violência não é, de todo, aceitável nem lhes trará qualquer satisfação (ao contrário do que possam pensar).

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Artificialidade


Faz-me muita muita confusão o ar artificial que algumas pessoas conseguem adquirir. Aqui não se trata da moça ter preenchido os lábios, pese embora este facto contribua, de facto, para o que acabei de dizer. Não sei... As sobrancelhas desenhadas, o ar superior, a maquilhagem... Eu sou grande fâ de maquilhagem e uso-la todos os dias mas gosto quando é usada para ficarmos ainda mais bonitas em vez de nos transformar por completo. Claro que deve haver uma diferença de alguns anos a separar ambas as fotos mas não sei... Parecem duas pessoas completamente diferentes.